sábado, janeiro 28, 2023

Tragédia causada por motorista bêbado em Jacobina completa um ano; três pessoas morreram

No dia 24 de dezembro de 2021, enquanto a maioria das pessoas de Jacobina contava as horas para a tradicional ceia em celebração ao Natal, três famílias eram atingidas por uma tragédia sem precedentes na cidade, que mudaria suas vidas para sempre. E a causa: um homem completamente bêbado conduzindo uma caminhonete Ram 2.500 em alta velocidade, invadiu uma loja de material de construção e interrompeu as vidas de três pessoas que faziam compras no estabelecimento.
Conforme mostrou o Jacobina Notícias, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) concluiu que o servidor público aposentado Petrônio Silva Souza, à época com 69 anos de idade, havia ingerido bebida alcoólica em diversos bares e conduzia a caminhonete em alta velocidade por ruas e avenidas da cidade até fazer a última parada, em um bar na Praça da Missão, antes de tirar a vida de três pessoas.
Dali, segundo o MP-BA, ignorando aos pedidos do dono do bar para que não dirigisse no estado em que se encontrava, Petrônio tomou a direção do veículo, acelerou o quanto pôde e desceu a ladeira da Rua J.J. Gouveia. A caminhonete subiu o passeio, invadiu a loja e atingiu pelo menos 6 pessoas.

 

Vítimas
Marcelo Messias da Costa Silva, de 34 (centro da imagem abaixo) morreu no local, esmagado debaixo de um pneu da caminhonete (matéria aqui). Roque Ferreira da Silva, de 68 anos (à esquerda), e Luís Carlos de Jesus Silva, de 33 anos (à direita), chegaram a ser socorridos para o Hospital Municipal Antônio Teixeira Sobrinho (HMATS), mas não resistiram aos ferimentos e morreram pouco depois (matérias aquie aqui).

 

O senhor Roque Ferreira deixou filhos e netos. Já Marcelo Messias e Luís Carlos deixaram esposas e filhos órfãos.
Prisão
Petrônio foi preso em flagrante, visivelmente embriagado. Após atingir e matar as pessoas, ele desceu da caminhonete em meio aos corpos das vítimas e escombros, e urinou na parede do estabelecimento. A cena gerou revolta nas pessoas que lutavam para retirar as vítimas dos escombros.
Petrônio passou por exame de bafômetro, que apontou níveis altíssimos de alcoolemia (0.59 mg/L), e foi autuado por crime culposo, sem intenção de matar. O Ministério Público ainda pediu uma mudança na interpretação do crime e denunciou o motorista por crime doloso, apontando o dolo eventual por ele ter assumido o risco de matar.
“Não foi acidente”
Familiares e amigos das vítimas chegaram a fazer um protesto na semana seguinte à tragédia, pedindo justiça e afirmando que “não foi acidente”. O ato saiu do centro da cidade, no dia 30 de dezembro do ano passado, e percorreu ruas até o local da tragédia.
O caso ganhou repercussão nacional.

 

A Justiça converteu a prisão em flagrante de Petrônio em prisão preventiva na mesma semana. No dia 22 de fevereiro deste ano, quase 2 meses depois, Petrônio foi transferido para o Conjunto Penal de Juazeiro. Durante este período, antes da primeira audiência do caso, o acusado teve um pedido de habeas corpus negado de forma unânime por cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (reportagem aqui).
Liberdade
No dia 17 de março, 22 dias depois de ser transferido para a penitenciária em Juazeiro, e menos de três meses depois de causar as mortes de três pessoas, Petrônio ganhou a liberdade na primeira audiência do caso, feita por videoconferência (matéria aqui).

 

Ele responde ao processo em liberdade. Um ano depois, se for dividido o período em que ficou preso pela quantidade de vítimas fatais, o acusado não chegou a passar nem 30 dias detido por cada vida ceifada.
As famílias das vítimas ainda sofrem com as perdas. Hoje, véspera de Natal e dia em que completa um ano do ocorrido, as lembranças vêm ainda mais fortes, até mesmo na população que acompanhou com espanto e indignação todo o caso.
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