17 jun 2026

Homem que amputou a própria perna para tentar receber R$ 1,5 milhão em seguros é condenado na Bahia

Um servidor público da Bahia foi condenado por estelionato após a Justiça concluir que ele amputou a própria perna para tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros. O caso aconteceu em 2019 e teve decisão definitiva após o Tribunal de Justiça da Bahia manter a condenação.

Na época, Vanderley dos Santos Gomes afirmou ter sido sequestrado e assaltado em Cruz das Almas por criminosos que teriam cortado seu pé direito antes de abandoná-lo em uma área rural. No entanto, as investigações da Polícia Civil, do Ministério Público e das seguradoras apontaram que a história foi forjada.

Segundo a apuração, cerca de seis semanas antes do suposto crime, Vanderley contratou quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais que somavam aproximadamente R$ 1,5 milhão em possíveis indenizações por invalidez.

As investigações identificaram inconsistências no relato apresentado pelo servidor. A Justiça destacou que não havia provas de que ele esteve nos locais citados na versão do suposto sequestro e considerou a narrativa repleta de contradições.

Na sentença, o magistrado considerou improvável que desconhecidos levassem a vítima para outra cidade apenas para mutilá-la sem qualquer motivação aparente. O Tribunal de Justiça também apontou como suspeito o curto intervalo entre a contratação dos seguros e a lesão, além do fato de os pedidos de indenização terem sido feitos poucos dias após o ocorrido.

De acordo com os autos do processo, Vanderley era servidor concursado da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e estava afastado de suas atividades quando ocorreu o episódio. Na época, ele alegou sofrer de síndrome de burnout e recebia remuneração como técnico-administrativo da instituição.

As seguradoras envolvidas acionaram equipes especializadas para analisar o caso após identificarem indícios de fraude. Entre os fatores que despertaram suspeitas estavam a contratação recente de várias apólices de alto valor e a falta de histórico anterior de seguros compatíveis com os montantes contratados.

Especialistas ouvidos durante a investigação também questionaram a dinâmica do suposto crime. Conforme apontado no processo, a versão apresentada pelo servidor não foi corroborada por provas materiais e apresentava divergências consideradas relevantes para a apuração dos fatos.

Dados do setor de seguros mostram que tentativas de fraude geram prejuízos milionários todos os anos no Brasil. Segundo entidades do segmento, os golpes mais comuns envolvem seguros de veículos, enquanto casos relacionados a lesões corporais intencionais são extremamente raros.

Condenado a dois anos de reclusão por estelionato, Vanderley esgotou todas as possibilidades de recurso e foi intimado a cumprir a pena. O caso é considerado incomum no país devido à gravidade da automutilação supostamente praticada para obtenção de vantagem financeira junto às seguradoras.

Fonte: Correio 24 Horas

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